Da responsabilidade do israelita Itzhak Perlman, Schindler's List.
O primeiro canto
terça-feira, 26 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Fragmento do Homem
Eugénio de Andrade
Que
tempo é o nosso? Há quem diga que é um tempo a que falta amor. Convenhamos que
é, pelo menos, um tempo em que tudo o que era nobre foi degradado, convertido
em mercadoria. A obsessão do lucro foi transformando o homem num objecto com
preço marcado. Estrangeiro a si próprio, surdo ao apelo do sangue, asfixiando a
alma por todos os meios ao seu alcance, o que vem à tona é o mais abominável
dos simulacros. Toda a arte moderna nos dá conta dessa catástrofe: o
desencontro do homem com o homem. A sua grandeza reside nessa denúncia; a sua
dignidade, em não pactuar com a mentira; a sua coragem, em arrancar máscaras e
máscaras.
E
poderia ser de outro modo? Num tempo em que todo o pensamento dogmático é mais
do que suspeito, em que todas as morais se esbarrondam por alheias à
«sabedoria» do corpo, em que o privilégio de uns poucos é utilizado
implacavelmente para transformar o indivíduo em «cadáver adiado que procria»,
como poderia a arte deixar de reflectir uma tal situação, se cada palavra, cada
ritmo, cada cor, onde espírito e sangue ardem no mesmo fogo, estão arraigados
no próprio cerne da vida?
Desamparado até à medula, afogado nas águas difíceis da sua contradição,
morrendo à míngua de autenticidade - eis o homem! Eis a triste, mutilada face
humana, mais nostálgica de qualquer doutrina teológica que preocupada com uma
problemática moral, que não sabe como fundar e instituir, pois nenhuma fará
autoridade se não tiver em conta a totalidade do ser; nenhuma, em que espírito
e vida sejam concebidos como irreconciliáveis; nenhuma, enquanto reduzir o
homem a um fragmento do homem. Nós aprendemos com Pascal que o erro vem da
exclusão.
Do livro: Os Afluentes do Silêncio
Kiwi!
Uma animação que
nos deixa com um plural de interpretações.
De todo modo, a
arte de reinventar o mundo para experimentar o gosto da liberdade.
Fantastic!
domingo, 24 de setembro de 2017
"Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.”
“...Em vez de me obter com a fuga, vejo-me desamparada, jogada num cubículo sem dimensões, onde a luz e a sombra são fantasmas inquietos. No meu interior encontro o silêncio procurado. Mas dele fico tão perdida de qualquer lembrança de algum ser humano e de mim mesma, que transformo essa impressão em certeza de solidão física. Se desse um grito – imagino já sem lucidez – minha voz receberia o eco igual e indiferente das paredes da terra. Sem viver coisas eu não encontrei a vida, pois? Mas, mesmo assim na solitude branca e limitada onde caio, ainda estou presa entre montanhas fechadas. (...) Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome.” Perto do Coração Selvagem - Clarice Lispector
Bernardo Sassetti - Da Noite - Ao Silêncio
Suficiente
ouvir. Suficiente ver.
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